Há quem viaje para conhecer novas culturas e praticar idiomas. Também há quem se aventure para admirar paisagens e… beber vinho! Essa é a proposta do enoturismo: permitir que o viajante faça uma verdadeira imersão na história, nos aromas e nos sabores da vitivinicultura. De algumas décadas para cá, cada vez mais turistas têm pegado a estrada e embarcado em expedições rumo a regiões rurais para conhecer mais a fundo a cultura do vinho. A proposta é conhecer vinícolas, fazer degustações, participar das colheitas e (literalmente) embarcar em uma viagem para o mundo etílico. Um brinde!

O que é enoturismo

Em poucas palavras, o enoturismo é um tipo de viagem gastronômica voltado para conhecer e apreciar o universo do vinho. Os roteiros e os passeios são focados em um único objetivo: conhecer regiões que se dedicam à produção vitivinícola. 

Esse tipo de viagem é pensado para pessoas que buscam se aprofundar na história, nas tradições e na cultura do vinho. Os turistas podem participar de degustações, fazer tours guiados pelas vinícolas e plantações, visitar museus… 

sessão de degustação diretamente nos vinhedos como atividade de tour de vinho no enoturismo
© fatihhoca

Tipos de experiências no enoturismo

Existem muitos jeitos de explorar e conhecer uma região produtora de vinho. Algumas experiências, como sessões de degustação e visitas a adegas, são clássicas e quase que obrigatórias. Mas as possibilidades vão muito além. Investir em passeios personalizados e exclusivos é uma forma interessante de conhecer todas as etapas de produção do vinho, da plantação das uvas à venda nas prateleiras. Essas experiências de enoturismo podem incluir:

Visitas guiadas às instalações da vinícola e à adega

Fazem parte do bê-á-bá de qualquer viagem a regiões produtoras de vinho. Conhecer de perto como funciona uma vinícola é o primeiro passo para um mergulho nesse universo. A grande maioria das propriedades oferece tours guiados pelas instalações, em que um instrutor vai conduzindo os turistas e explicando o passo a passo da produção, da plantação ao envase, e contando bastidores do mundo do vinho;

Museus do vinho

Alguns destinos contam com espaços para divulgar a história da produção vitivinícola da região. Espere encontrar exposições fixas e/ou itinerantes que contam mais sobre as tradições e os modos de produção da bebida;

Experiências imersivas

Na época de colheita das uvas (vindima), algumas propriedades oferecem aos turistas a chance de participar desse momento e reviver as tradições antigas. Os viajantes podem colocar a mão na massa, dançar músicas regionais, pisar a uva e colher as frutas do parreiral;

aprender a fazer o vinho com o produtor de vinho nos vinhedos como parte da experiencia de tour do vinho uma atividade do enoturismo
© RossHelen

Sessões de degustação

São a oportunidade de efetivamente provar os vinhos locais. Em etapas sequenciais, são servidos diferentes rótulos, em pequenas doses.  Em alguns casos, as degustações já estão incluídas nas visitas guiadas;

Festas e festivais da uva

São eventos em celebração à cultura vitivinícola. Na maioria das vezes, oferecem programações com direito a apresentações musicais, oficinas e venda de rótulos. Antes de embarcar, é uma boa checar o calendário de festividades do local para participar;

Oficinas e cursos

Para quem quer se aprofundar ainda mais no mundo dos vinhos, algumas vinícolas oferecem programações de aulas sobre o terroir, cultivo e harmonização. Normalmente, é preciso se planejar e se inscrever com antecedência para participar;

Experiências gastronômicas

Em algumas vinícolas, nem é preciso sair da propriedade para ter uma experiência gastronômica completa. Antes de agendar sua visita, verifique se também é oferecida a possibilidade de provar menus degustação, fazer picnics ou participar de aulas de culinária, por exemplo –  tudo harmonizado com rótulos da casa, é claro. 

O que são Rotas de Vinho

Alguns destinos turísticos se prepararam especialmente para receber os viajantes interessados em conhecer mais a fundo o universo da vitivinicultura. Para isso, se organizam nas chamadas “Rotas de Vinho”. Elas nada mais são do que percursos em que os visitantes podem conhecer vinícolas, vinhas, restaurantes e patrimônios históricos – tudo dentro de uma determinada região com o objetivo de promover uma imersão no mundo do vinho. Países como Itália, França, Portugal, África do Sul e Chile são referência em receber esse tipo de visitante. 

uma placa apontando para as rotas do vinho
© ricochet64

No “Velho Mundo”, ou seja, nos países europeus produtores de vinho, os turistas têm a oportunidade de conhecer mais de perto a história do vinho, métodos tradicionais de produção, passado de geração em geração ao longo de muitos anos dando muito destaque no terroir e microrregiões. 

Já no “Novo Mundo”, em países não-europeus, o cultivo é mais recente e consequentemente a sua história. Muitas regiões do Novo Mundo foram introduzidas ao cultivo do vinho pelos próprios europeus, taí outro motivo de chamá-los de ‘Novo Mundo’. Nessas regiões, ganha destaque o tipo de uva utilizada na produção, o foco em tecnologia e práticas de vinificação mais flexíveis. Mas isso não significa que países do Velho Mundo não trabalham com técnicas de ponta e nem a ausência de práticas tradicionais e artesanais em países do Novo Mundo.

Algumas das rotas de vinho mais famosas do mundo são:

  • Bordeaux e Champagne, França
  • Rioja, Espanha
  • Douro e Alentejo, Portugal
  • Toscana e Piemonte, Itália
  • Eger, Hungria
  • Mosel-Saar-Ruwer, Rheinhessen e Pfalz, Alemanha
  • Kakheti, Geórgia 
  • Santorini, Grécia
  • Mendoza e Salta, Argentina
  • Yarra e Barrosa, Austrália
  • Casablanca, Colchagua e Maipo , Chile
  • Stellenbosch e Franschhoek, África do Sul
  • Napa Valley, Estados Unidos
  • Serra Gaúcha, Brasil
uvas em um vinhedo durante um tour em vinícola
© zodebala

Para quem é o enoturismo

O enoturismo é democrático e agrada a todos os tipos de turistas: dos sommeliers aos leigos no assunto. Para viajar para uma região produtora de vinho, não é preciso ser um especialista. Basta ter curiosidade em conhecer as tradições e apreciar os aromas e os sabores da bebida. 

Para os amantes e especialistas do vinho, esse tipo de viagem é um prato cheio. É a oportunidade de mergulhar (ainda mais) no universo vinícola e aproveitar ao máximo cada uma das experiências. Dá para montar roteiros inteiros voltados a degustações e visitas a adegas, com direito a passeios privativos e bate-papos com os donos, enólogos e agrônomos das propriedades. 

Os interessados em vinhos e gastronomia também aproveitam (e muito!) as rotas de enoturismo. Isso porque, além de ampliar seu conhecimento no assunto, conseguem aproveitar a chance de descobrir o destino a partir de seus sabores. Ainda que o vinho em si não seja o foco da viagem, ele abre portas para você descobrir mais sobre a cultura gastronômica da região e, de quebra, ainda voltar para casa com bons rótulos na bagagem. 

Para os turistas curiosos, os passeios enoturísticos são a chance de incrementar o roteiro com uma experiência diferente e única. Ainda que não sejam conhecedores do mundo do vinho, vale reservar alguns dias da programação para conhecer vinícolas, passear pelos vinhedos, aprender sobre harmonização com comida e, quem sabe, descobrir um novo hobby. 

degustação do vinho nas vinhas como parte das atividades de enoturismo
© petrenkod

Por que fazer enoturismo

Visitar regiões produtoras de vinho é um jeito autêntico de conhecer destinos rurais e interioranos de um país. As vinícolas abrem portas para mergulhar na cultura regional e aprender mais não só sobre vinho, mas também sobre biodiversidade e como os locais se relacionam com suas tradições e sua história. 

O enoturismo também funciona como uma alavanca para a economia local. Com o aumento de ofertas turísticas, pequenas cidades do interior ganham novas possibilidades de negócio e geração de emprego. A presença dos viajantes durante todo o ano é garantia de sustento para a comunidade e os empresários locais.

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