O mês de Maio começou agitado para o setor do Turismo Gastronômico e para a cidade de San Sebastián (País Basco, Espanha), uma das capitais mundiais da gastronomia. Mais de 500 pessoas de 85 países diferentes estiveram por lá para participar do 5º UNWTO Fórum Mundial de Turismo Gastronômico , inclusive nós do Food’n Road.  

Motivados a trazer as últimas tendências e discussões sobre o Turismo Gastronômico, o Food’n Road participou do evento organizado pela Organização Mundial de Turismo (OMT) e Centro Culinário Basco (BCC). Este ano, o fórum foi pautado em discussões sobre o desenvolvimento de estruturas e políticas públicas para impulsionar o empreendedorismo e criação de empregos no setor.

O turismo gastronômico é uma oportunidade para promover crescimento econômico na localidade, lutar contra o despovoamento e desenvolver muitas camadas sociais em desenvolvimento. O amplo espectro do turismo gastronômico o torna um aliado à inclusão social.

Secretário-geral da OMT, Zurab Pololikashvili

A agenda foi bem completa e contou com painéis de discussão, apresentação de cases, lançamento de um guias para o setor, visitas técnicas guiadas, lançamento de plataforma digital para promover destinos gastronômicos, além do anúncio do ganhador da primeira competição global de Startups do Turismo Gastronômico.

Durante os dois dias de agenda cheios e oportunidades de networking acompanhados de Pintxos, sidra local e vinho, diversas mensagens foram transmitidas. Listamos aqui nossos principais insights.

Crédito de imagem: Fotos oficiais de divulgação do evento disponíveis no Flickr da OMT

Sobre os temas discutidos

A visão dos benefícios do turismo gastronômico como ferramenta de desenvolvimento para o destino é comum e bem esclarecida.

Da valorização do patrimônio imaterial ao desenvolvimento econômico e social, muitos benefícios foram apresentados através de cases de diferentes países. É interessante ver o potencial de impacto em destinos com diferentes níveis de maturidade em relação ao turismo gastronômico.

Confira: Você conhece os benefícios do Turismo Gastronômico?

Turismo gastronômico não é apenas sobre restaurantes, mas muitos ainda pensam assim…

O tema é complexo e nome do setor não ajuda, o termo ‘gastronômico’ é muito associado ao paladar. De acordo com a sua definição, o turismo gastronômico (também conhecido como turismo culinário) é o conjunto de experiências e atividades turísticas relacionadas com o consumo de comidas e bebidas que valorizam a tradição e autenticidade do destino. Ou seja, é muito mais que uma lista de restaurantes. Este conceito se mostrou presente na fala de muitos palestrantes, mas outros ainda apresentaram discursos exclusivamente voltado para restaurantes.

Leia mais: O que é o turismo gastronômico

O desafio de envolver toda a cadeia de valor para desenvolver a indústria como um todo.

Estamos falando de um setor transversal e segmentado – com uma base comunitária, territorial e agrícola muito forte. Se por um lado foi ressaltado que para alcançar a sustentabilidade do setor a apoiar os ODs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) é essencial gerar valor para todos os envolvidos na cadeia. Por outro, não havia nenhum porta-voz que trouxesse a perspectiva da comunidade local ou do setor agrícola para os painéis de discussão.

A importância do trabalho conjunto entre o setor público, privado e comunidades locais.

A secretária geral Ibero-americana, Rebeca Grynspan, foi muito eloquente e elucidativa ao destacar a importância de um marco regulatório adequado com políticas públicas para desenvolver o turismo gastronômico no destino. Sem apoio de todos os setores, fica difícil orquestrar o posicionamento da gastronomia como uma marca no destino. Além disso, é através destas políticas que os destinos podem trabalhar a criação de empregos e capacitação de mão-de-obra qualificada para o setor.

Sobre a competição de Startups e as inovações do setor:

Plataformas peer-to-peer com foco em meal sharing, cooking class e experiências com locais, não são mais novidades, mas parte da indústria de turismo gastronômico.

Há alguns anos atrás houve um boom deste tipo de plataformas, uma vez que elas já estão mais consolidadas e em fase de expansão de mercados, não foram premiadas no 1º concurso de startups do setor. É o caso da brasileira Dinneer e da tailandesa Cookly, que apesar de alcançarem a semi-final do concurso, concorrendo mais de 300 inscritos, não chegaram entre os 5 finalistas que apresentaram no evento. O setor quer mais inovações.

A democratização do viajante independente

A grande vencedora do concurso foi a empresa Dinify, desenvolvedora de um app que promete facilitar a interação do viajante em qualquer restaurante do mundo, com tradução de menus e processamento de pedidos em qualquer idioma. Além disso, a OMT deu um reconhecimento especial a outra startup, bitemojo, que oferece um mobile app que conduz o viajante por experiências culinárias auto-guiadas.

O resultado do concurso de startups mostra uma tendência no desenvolvimento de experiências digitais e independentes para o viajante. Com base nisso, trazemos o nosso último questionamento…

… O desafio de equilibrar inovação e tecnologia com criação de empregos. Qual o emprego do futuro para o Turismo Gastronômico?

É claro que a tecnologia é sempre bem-vinda, afinal, facilita (e muito!) a vida do viajante. Mas se falamos que o turismo gastronômico é sobre experiências, interação com pessoas locais, valorização cultural e geração de empregos para a comunidade. Como garantir que isso aconteça ao mesmo tempo que embasamos a interação do visitante em tecnologias digitais? Estamos ansiosos para o concurso dos próximos anos, nossa aposta é para temas relacionados com a integração da tecnologia, valorização cultural e inclusão social.

A mínima presença brasileira no Fórum Mundial de Turismo Gastronômico

Para nós, como brasileiros, conhecendo o potencial da gastronomia no país, é triste ver como o Brasil não é reconhecido como destino gastronômico em âmbito global. O país não foi mencionado nenhuma vez no evento e contou com pouquíssimos participantes. Além do Food’n Road, os participantes foram, o secretário-executivo do MTur e uma comitiva público-privada de representantes da serra gaúcha.

A comitiva gaúcha pediu apoio para o desenvolvimento da Rota dos Vinhos, em especial nas cidades de Flores, Nova Pádua e Caxias do Sul, além de trazer visibilidade para o case da Associação Passo do Vinho, que está desenvolvendo experiências do turismo gastronômico na região.  

O Brasil tem um grande potencial e pode aprender com bons exemplos da América do Sul, como o Peru, Costa Rica e Chile. Temos um longo caminho pela frente.

As próximas etapas

O principal objetivo do Food’n Road é desenvolver o turismo gastronômico responsável e estamos comprometidos a fazer a diferença no segmento. No geral, adoramos o evento e os profissionais que conhecemos, é gratificante ver tanta gente trabalhando para o mesmo objetivo.


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